origem do cacau

Linhares

São por quase 105 anos que o cacau é cultivado no município de Linhares, pequeno estado do Espírito Santo entre o Rio de Janeiro e Salvador da Bahia. Só a cidade responde por 90% da produção de cacau do estado. Pouco conhecido fora das fronteiras brasileiras, foi preciso esperar 2010 para ser reconhecido internacionalmente quando Paulo Roberto Gonçalves Pereira foi o primeiro Linharense escolhido como um dos finalistas na Copa do Mundo do Cacau, no “Salon du Chocolat”, em Paris, seguido por Emir de Macedo Gomes em 2017.

IG Linhares

Em 1921, uma Estação Experimental de Cacau foi inaugurada na Fazenda Goytacazes. A ideia era criar uma fazenda modelo, destinada ao cultivo do cacau, que servisse de escola para os agricultores. A cultura evoluiu rapidamente, afirmando-se como a âncora financeira da região.

Em 2012, o cacau da região foi o primeiro do país a receber o Certificado de Indicação Geográfica (IG) de Linhares. Seu registro permitiu a produção dentro de um padrão pré-estabelecido, resultando em um cacau de qualidade. A produção de cacau também ajudou a preservar os vestígios da Mata Atlântica, a famosa “Floresta do Rio Doce”.

Bioma da floresta da
Mata Atlântica

A Mata Atlântica inclui eco regiões nas seguintes categorias de bioma: florestas tropicais de folha larga úmida e seca sazonal, pastagens tropicais e subtropicais, savanas e arbustos e florestas de mangue.

Distribuídos por 15% do território brasileiro cobrindo grandes áreas de montanhas e colinas nas terras altas, hoje restam apenas 7,3% de sua área inicial. Essa queda é principalmente devido à urbanização do litoral brasileiro que concentra cerca de 70% da população brasileira com grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador da Bahia ou mesmo Porto Alegre.

Como no sul da Bahia, muitas vezes a floresta era desbastada para que o cacau pudesse ser plantado na vegetação rasteira. Cerca de 50 a 60 por cento do cacau da Bahia é cultivado neste sistema agroflorestal, conhecido em português brasileiro como Cabruca. Este arranjo ecológico responde a duas lições aprendidas: (1) o cacau está indo bem neste sistema e (2) cortar árvores enormes é um trabalho árduo. Então, onde o objetivo era produzir cacau em vez de madeira, eles cortaram o mínimo possível. Consequentemente, a Cabruca, um sistema de conservação de fato, é a razão de ainda haver floresta em pé. Você poderia dizer que o destino dessas árvores gigantescas agora está ligado ao das pequenas árvores que elas protegem.

Varietal SJ02

Em 2019, a primeira edição do Concurso Nacional da Qualidade do Cacau recebeu 54 amostras. O movimento “Feijão à Barra” estará na origem da promoção da qualidade de produtos cujos aromas e sabores variam constante o tipo de cacau e o “terroir”, nome dado a todas as características do solo e do clima. determinada região, o que garante à matéria-prima peculiaridades únicas em função de sua origem.

Nesta primeira competição, a variedade SJ02 produzida por Márcia Fonseca (Fazenda Santa Clara) em Linhares conquistou o primeiro lugar do pódio. No ano seguinte foi o casal Eduardo Zucolotto da Silva e Ana Claudia Milanez Rigoni da Fazenda Guarani quem recebeu este reconhecimento com o SJ02, o que confirma inegavelmente as virtudes organolépticas desta variedade no terroir de Linhares.

Fazenda

Guarani

A paixão de seu pai pelo cacau levou a médica Ana Claudia Milanez Rigoni a investir na cultura, ao lado do seu marido Eduardo Zucolotto da Silva, em Linhares (ES), na Fazenda Guarani. Os produtores são atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES) e recebem mensalmente a visita de um técnico de campo que trabalha a gestão da propriedade rural e informações técnicas sobre a condução da lavoura e o processo de beneficiamento da fruta, técnicas chaves para produzir esse tipo de resultados.

"A diferença é que procuram fazer a colheita no ponto certo, fazem uma boa condução de temperatura na hora da fermentação e a secagem é realizada em uma estufa solar, o que oferece à amêndoa a quantidade adequada de luz e calor"

Eduardo Zucolotto da Silva elaborou seu próprio protocolo de fermentação em cochos de madeira redondos e quadrados para alcançar os melhores resultados. A sua dedicação foi prestigiada com premiações e o Selo IG do Cacau Linhares, agregando valor para a fazenda.

PT