origem do cacau

Terruá Tuerê

Faz um pouco mais de 5 anos que a ONG Solidaridad educa e apoia tecnicamente pequenos agricultores rurais de Novo Repartimento – Terruá Tuerê (nome indígena), no estado do Pará. Desde os primeiros anos, a qualidade do seu trabalho atraiu grandes nomes da produção de chocolate Bean to Bar no Brasil. Foi em Belém em 2019 que conheci um deles, Bruno Lasevicius, na feira do chocolate, onde ganhou a grande maioria dos prêmios.

É muito difícil imaginar o tamanho do estado do Pará, que abriga grande parte da Amazônia. A sua área é igual à França + Alemanha + Inglaterra e Portugal, para uma população que não excede a da Bélgica. Portanto, é lógico que este imenso estado brasileiro também abrigue abundantes riquezas e muitos terroirs. Porém é o terroir de Tuerê que está chamando toda a atenção no momento.

Dos 8 produtores brasileiros selecionados em 2021 como o melhor cacau do Brasil e que serão enviados ao show de Paris para disputar a Copa Mundial do Cacau, 4 são do estado do Pará e 3 da região de Tuerê. No entanto, é a primeira vez que produtores da região participam nesta seleção nacional, adiando o 2º, 4º e 6º lugar neste concurso. João Evangelista entrou como finalista entre os 50 melhores cacaus do mundo ao lado de João Tavares, o rei do cacau no Brasil que já conquistou o título de melhor cacau do mundo, por dois anos consecutivos.

O bioma Amazônia ocupa cerca de 40% do território brasileiro.
A floresta amazônica é conhecida como abrigo da maior biodiversidade do mundo, pois nela podem ser encontradas milhares de espécies animais, vegetais e microrganismos. O solo da floresta amazônica é em geral bastante arenoso. Possui uma fina camada de nutrientes que se forma a partir da decomposição de folhas, frutos e animais. Essa camada é rica em húmus, matéria orgânica muito importante para certas espécies de plantas da região. O clima é do tipo equatorial úmido, o que caracteriza certas áreas próximas ao equador com uma temperatura geralmente variando entre 22° C e 28° C.

No caso de Tuerê, será sobretudo o impacto da ONG Solidaridad no processo de pós-colheita que ajudará os pequenos produtores rurais a moldar muito rapidamente cacau de altíssima qualidade. Após duas décadas de desmatamento, o objetivo é demonstrar que podemos viver bem do que a floresta amazônica tem a oferecer recebendo uma compensação justa. O cacau fino de Tuerê, maior assentamento rural da América Latina, é vendido por 2 a 4 vezes o preço do cacau comum vendido para a indústria de chocolate. Essa justa remuneração estimula os produtores de cacau a aprender como recuperar a vegetação nativa por meio de um manejo sustentável.

Em seu “sitio”, João Evangelista – também conhecido como Rogério – cultiva apenas uma tonelada de cacau fino por ano. Ao contrário das grandes fazendas onde os funcionários cuidam de toda a produção, aqui é ele mesmo quem colhe, fermenta e supervisiona todo o processo. É, portanto, com grande honra que trabalhamos com seu cacau para beneficiá-lo, apoiando assim, esta iniciativa de valorizar o produtor e proteger nosso meio ambiente. E para motivar esse movimento vamos contribuir com esse projeto com nossa modesta participação, a fim de que possamos mudar o jogo.

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